sábado, 31 de maio de 2008

Homem de Ferro


Finalmente a Marvel Studios (divisão de cinema da editora de quadrinhos Marvel Comics) se livrou das amarras dos grandes estúdios e alçou vôo sozinha. Produdizo com recursos próprios (vindos, certamente do largo lucro acumulado as triologias de Homem-Aranha, X-Men e outros mais) e distribuído pela Paramount, eis que é lançado Homem de Ferro, mais um dos grandes heróis clássicos do panteão da editora, que, apesar mesmo não tão conhecido pela grande massa como os personagens dos filmes citados acima, possui um imenso número de fãs ao redor do globo.

Pois bem, Homem de Ferro conta a história de como o playboy Tony Stark (Robert Downey Jr., excelente), proprietário de uma das maiores indústrias armamentistas e de tecnologia do mundo, é atingido pela própria criaçao. Ou seja, os equipamentos que ele produz são utilizados de forma "errônea" por "terroristas" do Oriente, que, numa emboscada enquanto Stark voltava de uma negociata com o exército norte-americano, é alvo de uma explosão que deixam seqüelas gravíssimas em Stark: fragmentos do armamento perfuram seu peito e ele não morre por milagre: é salvo por um médido, refém dos tais terroristas que, a propósito, não perdem a oportunidade e seqüestram Stark também, com o intuito de tê-lo como construtor de poderosos armamentos.

Bem, a partir daí Tony, ao invés de construir o armamento como lhe é ordenado, passa a construir uma espécie de armadura para que assim possa fugir (junto com o médico) da "prisão". O resto é óbvio, Stark foge e, depois dessa experiência, digamos, crítica, reflete melhor e decide não mais investir em guerra (o cara fabrica armamentos e, eles podem cair em "mãos erradas") e sim utilizar o mais novo invento com o intuito de defender a população desses armamentos. Surge assim o Homem de Ferro.

O longa de Jon Favreau (diretor de Zathura e ator em diversos filmes, como o do também super-herói da Marvel, Demolidor) é brilhante. Alia com cautela todos os elementos que devem fazer parte do filme pipoca moderno: roteiro contextualiazdo com a atualidade, toques de comédio e romance, ótimo elenco (o filme ainda tem estrelas como Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges e Terrence Howard) e, é claro, ótimas cenas de ação que, além de contribuírem ao desenvolvimento da trama, não são altamente dependentes da computação gráfica para apresentarem ilusão de realismo.

Sendo assim, não é surpresa o filme ter arrasado nas bilheterias mundiais, ser líder por quase três semanas no Top 10 (desbancando outros blockbusters, como Speed Racer), faturado mais de 300 milhões nelas e ter garantido para 2010 uma seqüencia. Nada mal para o "primeiro" filme do agora "livre" Marvel Studios, que em junho ataca novamente com o novo filme do "Incrível Hulk".

P.S.: Aguardem até o final dos créditos que verão uma surpresa, principalmente os fãs de quadrinhos.

NOTA: 9.

Ficha Técnica:
Título Original: Iron Man
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.homemdeferro.com.br
Estúdio: Dark Blades Film / Marvel Entertainment / Road Rebel
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Art Marcum, Matt Holloway, Mark Fergus e Hawk Otsby, baseado em personagens criados por Stan Lee, Don Heck, Jack Kirby e Larry Lieber
Produção: Avi Arad e Kevin Feige
Música: Ramin Djawadi
Fotografia: Matthew Libatique
Desenho de Produção: J. Michael Riva
Direção de Arte: Suzan Wexler
Figurino: Rebecca Bentjen e Laura Jean Shannon
Edição: Dan Lebental
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic


Elenco: Robert Downey Jr., Terrence Howard, Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau e Samuel L. Jackson.

Trailer:

domingo, 16 de setembro de 2007

Um Astro em Minha Vida


Ator (Morgan Freeman, de Cão de Briga) afastado do mundo cinematográfico por quatro anos decide voltar a atuar analisando um projeto de filme independente, no qual tem de visitar um supermercado suburbano para observar como um gerente atua, sendo isto necessário para o desenvolvimento de seu personagem. Porém, no caos que se encontra o estabelecimento, acaba se identificando com uma jovem espanhola (Paz Vega, de Espanglês), responsável maior pela sobrevivência diário do supermercado. A partir daí começa a surgir um sentimento de amizade entre os dois, acarretando em grandes mudanças em suas vidas, em apenas um dia.

Comédia de estrada despretenciosa escrita e dirigida por Brad Silberling (Cidade dos Anjos), que aposta no carisma dos dois personagens principais e praticamente só eles existem na trama. Lembrando, de certa forma, Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol. Porém, esse não é um filme de romance, mas sim uma comédia urbana que aborda temas como realização profissional, oportunidades, dentre outros.

Apesar de curto (apenas 80 minutos) o filme pode se tornar cansativo, devido a presença de apenas dois personagens centrais. Mas Freeman e Vega conduzem bem seus respectivos papeis e conseguem prender a atenção de quem confere o longa.

Um filme simples, que na verdade parece uma brincadeira de Silberling com o mundo diferente em que os astros de cinema vivem em comparação a população em geral. Destque para o gerente substitituto, vivido por Kumar Pallana (O Terminal). Hilário. Vale citar também a participaçaõ especial de Danny DeVito, como ele mesmo.

Obs: O título brasileiro é péssimo!

NOTA: 7,5.

Ficha Técnica:
Título Original: 10 Items or Less
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 82 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Estúdio: Reveal Entertainment / Revelations Entertainment / 10 Items / Mockingbird Pictures
Distribuição: THINKFilm / Imagem Filmes
Direção: Brad Silberling
Roteiro: Brad Silberling
Produção: Julie Lynn, Lori McCreary e Brad Silberling
Música: Antonio Pinto
Fotografia: Phedon Papamichael
Desenho de Produção: Denise Pizzini
Direção de Arte: Don "Tex" Clark
Figurino: Isis Mussenden
Edição: Michael Kahn

Elenco: Morgan Freeman, Paz Vega, Jonah Hill, Bobby Cannavale, Jennifer Echols, Kumar Pallana e Danny DeVito.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=MquN2nZnhZw

Instinto Secreto

Earl Brooks (Kevin Costner, de Anjos da Vida) é um homem de sucesso. Empresário bem sucedido, casado e pai de família. Porém, por trás disso, esconde um segredo: Brooks é um frio assassino. Possui um tipo de distúrbio, que o divide em duas personalidades (parecido com Jackyl e Hyde), esta já citada e a vivida na tela por William Hurt (de Marcas da Violência), que é a contraparte assassina de Brooks.

Ele comete os crimes há mais de vinte anos, porém, devido a um descuido, é fotografado por um jovem que passa a chantageá-lo, mas de forma duvidosa. O que ele deseja é assistir Brooks matando alguém. No meio disso, a detetive Tracy Atwood (vivida por Demi Moore, de Até o Limite da Honra) continua no encalço do assassino da digital, título pelo qual Brooks é conhecido.

Este segundo longa dirigido por Bruce A. Evans tem uma premissa interessante: brincar com o lado psicológico do assassino. Através de interferências dos dois egos, o personagem principal é construído, com uma boa química entre Costner e Hurt. O filme prende a atenção, mas não possui um ritmo agil e sua edição se mostra muitas vezes cansativa. Um suspense que pede por uma mão mais experiente no comando. Não é um filme ruim, porém desperdiça sua boa idéia com um final completamente óbvio e um tanto quanto desnecessário.

NOTA: 7,0.

Ficha Técnica:
Título Original: Mr. Brooks
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.theressomethingaboutmrbrooks.com
Estúdio: MGM / Tig Productions / Relativity Media / Element Films / Eden Rock Media
Distribuição: MGM / Imagem Filmes
Direção: Bruce A. Evans
Roteiro: Raynold Gideon e Bruce A. Evans
Produção: Kevin Costner, Raynold Gideon e Jim Wilson
Música: Ramin Djawadi
Fotografia: John Lindley
Desenho de Produção: Jeffrey Beecroft
Direção de Arte: William Ladd Skinner
Figurino: Judianna Makovsky
Edição: Miklos Wright

Elenco: Kevin Costner, William Hurt, Demi Moore, Dane Cook, Marg Helgenberger e Danielle Panabaker.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=BQERrAfoNFk

Paranóia


Kale (Shia LaBeouf, de Transformers) passa por uma fase difícil após perder o pai num trágico acidente de carro. Acaba agradindo seu professor e, por isso, é condenado a prisão domiciliar durante 3 meses. Neste período, cansado de passar os dias jogando video-game, assistindo TV e acessando Internet, passa a observar a vizinhança pelas janelas de sua casa. E é num desses momenos que acredita ver seu vizinho (David Morse, de Lembranças de Um Verão) matando uma moça. A partir daí, com a ajuda de um amigo e de uma vizinha que acabara de se mudar, Kale começa a investigar a fundo se o que vira era verdade ou não.

Bastante influenciado pelo clássico do suspense Janela Indiscreta, de Alfred Hithckock (filme que também foi refilmado por Christopher Reeve nos anos 90), Paranóia é um suspense correto, que utiliza bem seus personagens centrais para envolver o espectador (principalmente o jovem). Personagens carismáticos e uma trama bem amarrada (apesar de óbvia) cosntruem um bom entretenimento.

Infelizmente o filme perde o rumo na meia hora final, onde todo o clima de mistério cai por água a baixo e o pouco de "originalidade" que ele possuia também desaparece. A partir daí dá-se cenas clichês de perseguição e obviedades pertencentes a maior parte dos filmes do gênero.

No entanto, no geral o longa é uma boa pedida. Envolve e não é cansativo. LeBeouf está muito bem como o protagonista, mas quem merece destaque é o ator David Morse, que, apesar de estar presente em poucas cenas, demonstra uma atuação notável, transmitindo uma aura suspeita e fria através do seu personagem.

A direção está a cargo de D.J. Caruso, mais um vindo do mundo dos video-clipes, dirigiu o suspense mediano Roubando Vidas, com Ethan Hawke e Angelina Jolie. Apesar das limitações já citadas, Caruso não faz feio e consegue construir um thriler notável que faz uma atualização e homenagem a clássica obra de Hitchcock. No geral, um bom filme.

NOTA: 8,0.

Ficha Técnica:

Título Original: Disturbia
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 104 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.disturbia.com
Estúdio: DreamWorks SKG / Paramount Pictures / The Montecito Picture Company / Cold Springs Pictures
Distribuição: DreamWorks SKG / Paramount Pictures / UIP
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: Christopher B. Landon e Carl Ellsworth, baseado em estória de Christopher B. Landon
Produção: Jackie Marcus, Joe Medjuck e E. Bennett Walsh
Música: Geoff Zanelli
Fotografia: Rogier Stoffers
Desenho de Produção: Tom Southwell
Direção de Arte: Douglas Cumming
Figurino: Marie-Sylvie Deveau
Edição: Jim Page
Efeitos Especiais: Pacific Title and Art Studio / Kurtzman Nicotero & Berger EFX Group Inc.
Elenco: Shia LeBouf, David Morse, Sarah Roemer, Aaron Yoo e Carrie-Anne Moss.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=8pVa-oEwrjQ

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O Atirador


O atirador de elite Bob Lee Swagger (Mark Wahlberg, de Os Infiltrados) vive isoloado nas montanhas depois de perder companheiro observador em missão do exército norte-americano, fora dos limites dos EUA. Porém, seus dias de isolamento acabam após a convocação feita pelo Cel. Johnson (Danny Glover, de Dreamgirls). O Cel. pede a Swagger que planeje um atentado contra o presidente dos EUA, pois fontes dizem que um ocorrerá em breve e, como Swagger é um dos melhores 'snipers' do exército, poderia assim prever os planos do terrorista.

Swagger analisa todos os possíveis locais do atentato (são apontados Washington, Filadélfia e Baltimore), mas supõe que o atentado acontecerá na Filadélfia. No entanto, o que ele não sabia é que foi usado como bode espiatório e, além de ter entregue um plano perfeito a terroristas, é agora caçado como principal suspeito da tentativa de assassinato ao presidente dos EUA.

Após isso o que domina na tela são cenas e mais cenas de perseguição (muito bem feitas, por sinal), enquanto Bob Lee Swagger conta com a ajuda de um novato do FBI (Michael Peña, de As Torres Gêmeas), tenta provar a sua inocência e, mesmo com a conspiração envolvendo militares de altas patentes e políticos, fazer justiça com as próprias mãos (arghhh...).

Uma moda recente, presente na maioria dos filmes de ação (nos bons, pelo menos) é a de camuflar roteiros cheios de buracos com pitadas de crítica social em seu enredo. Isso também o ocorre em "O Atirador", durante as exageradas conspirações mostradas no filme.

Dirigido por Antoine Fuqua (do premiado Dia de Treinamento e do massacrado Rei Arthur), o filme não mostra realmente a que veio. Como divertimento, passa numa boa, apesar da trama totalmente duro de matar e congêneres e do tempo de duração ser um tanto quanto longo, fato que prejudica a dinamicidade do longa (fator essencial para um bom filme de ação), que poderia ser enxugado com uns 20 minutos a menos.

Pois bem, no fim "O Atirador" não compromete. Filme típico de soldado quase perfeito e super bem treinado, que cisma em tentar resolver todos os problemas sozinho (a pouca exploração do personagem de Peña é notável) que peca pela falta de novidade e mesmice empregada por Fuqua, tanto na caracterização dos personagens (a voz rouca 'a la patolino' de Danny Glover irrita qualquer um que tenha uma boa audição), quanto nas decisões batidas e previsíveis tomadas por ele no correr da história. Do filme, salva-se o regular Wahlberg, que se sai bem como o John Rambo do novo milênio. No final, um filme divertido, porém, facilmente esquecível.

NOTA: 7,0.

Ficha Técnica:
Título Original: Shooter
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 124 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
2007
Site Oficial: www.paramountpictures.com.br/atirador
Estúdio: Paramount Pictures / Di Bonaventura Pictures
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Jonathan Lemkin, baseado em livro de Stephen Hunter
Produção: Lorenzo di Bonaventura
Música: Mark Mancina
Fotografia: Peter Menzies Jr.
Desenho de Produção: Vance Lorenzini e J. Dennis Washington
Direção de Arte: Jeremy Stanbridge
Figurino: Ha Nguyen
Edição: Conrad Buff IV e Eric A. Sears
Efeitos Especiais: Hydraulx / Hatch Production

Elenco: Mark Wahlberg, Michael Peña, Danny Glover, Kate Mara, Elias Koteas, Tate Donovan.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=5FLJPVMxCXg


sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O Ultimato Bourne


Entretenimento também pode ser sinônimo de inteligência. Esta é a idéia que sai de minha cabeça ao término da exibição de O Ultimato Bourne, conclusão da trilogia iniciada em "A Identidade Bourne" e seguida de "A Supremacia Bourne". O filme, novamente encabeçado por Matt Damon e conduzido por Paul Greengrass (diretor de A Supremacia e do polêmico Vôo United 93) encerra a trilogia de forma primorosa e frenética.

O agente secreto desmemoriado Jason Bourne (Dammon) parte agora em sua empreitada final. Finalmente descobrir quem é e qual é a razão de sua perda de memória. Para isso, porém terá que enfrentar mais uma vez os obstáculos da incansável CIA, que através de alguns agentes de caráter um tanto quanto duvidoso tenta destruir Bourne de uma vez por todas. As investigações de Bourne o levam a uma série de descobertas "cabeludas" em torno da agência de espionagem, sobretudo em relação ao projeto no qual o personagem de Dammon foi incluso. Ou seja, desta vez Bourne finalmente descobrirá a verdade sobre si mesmo.

Com um roteiro muito bem elaborado (fato já marcante na série), a cargo de Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, uma direção segura e mais do que eficiente por parte de Paul Greengrass, que utiliza em vários momentos importantes da trama uma câmera de mão, dando assim mais movimento e, de certa forma, juntamente com a edição frenética de Christopher Rouse, uma acentuada energia ao filme.

O longa também é marcado por primorosas cenas de ação, que por sinal não atrapalham o desenvolvimento da trama, pelo contrário, estão no filme justamente para acrescentar à ela. Além dos fatores citados acima, este com certeza também é um dos responsáveis pelo grande sucesso que o longa vem fazendo, já arrecadando mais de 100 milhões de dólares em bilheteria, somente em território norte-americano.

As cenas de ação são de um primor elevado. Ao contrário de um certo filme do "gênero" recentemente estrelado por Bruce Willis, a ação de O Ultimato Bourne complementa o filme de forma ímpar. E até mesmo cenas um tanto quanto exageradas (sim, elas existem) tornam-se, de certa forma, críveis devido à competência da execução e da fulminante edição, lembrando bastante as de vídeo-clipes. Uma cena que merece ser destacada é o combate de Bourne com um executor (agente responsável por, como o nome diz, executar alvos), que está à caça da personagem interpretada por Julia Stiles, antagonista de Bourne no filme anterior, neste agora ela é uma aliada (talvez bem mais que isso).

Outro ponto alto é em relação as locações. O filme é praticamente "multinacional". logo nos primeiros minutos podemos viajar pela Rússia, Itália, Estados Unidos, França e Marrocos. Também, de forma correta, diversas pequenas tramas são intercaladas (devido a grande quantidade de personagens coadjuvantes) num único núcleo, sem nunca deixar o nível de tensão que o filme carrega cair.

É válido lembrar que o longa tem um ótimo elenco de apoio (seguindo o padrão de qualidade já mostrado nos dois longas anteriores). Estão presentes no filme, além de Dammon e Stiles, David Strathairn (visto recentemente em Boa Noite, Boa Sorte), Joan Allen (O Outro Lado da Raiva) e os veteranos Scott Glenn (12 Horas Até o Amanhecer) e Albert Finney (Um Bom Ano).

Um ótimo exemplar do gênero. Tão bom (ou até mesmo melhor) quanto o recente Cassino Royale e o último Missão Impossível (e por que não citar a premiada série 24 Horas). Adrenalina, precisão, emoção e, finalmente, a revelação dos segredos sobre o agente são algumas das qualidades do longa. Um defeito? Ser tão curto quanto os outros filmes da trilogia... por que não 3 horas de perseguição e intriga? Quem sabe "num" próximo!

NOTA: 8,5.

Ficha Técnica
Título Original: The Bourne Ultimatum
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 111 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.thebourneultimatum.com
Hot Site: www.adorocinema.com/hotsites/bourne
Estúdio: Universal Pictures / Ludlum Entertainment / Bourne Again / The Kennedy/Marshall Company
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi, baseado em estória de Tony Gilroy e em livro de Robert Ludlum
Produção: Patrick Crowley, Frank Marshall e Paul Sandberg
Música: John Powell
Fotografia: Oliver Wood
Desenho de Produção: Peter Wenham
Direção de Arte: Grant Armstrong, Robert Cowper, Peter James, Andy Nicholson, David Swayze, Jason Knox-Johnston e Sebastian T. Krawinkel
Figurino: Shay Cunliffe
Edição: Christopher Rouse
Efeitos Especiais: The Senate Visual Effects / Snow Business / Lip Sync Post

Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Joan Allen, Albert Finney.


Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=yawbyVSboWA

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

A Conquista da Honra / Cartas de Iwo Jima

Fazer dois filmes com um mesmo tema é complicado. Porém, fazê-los com duas visões diferentes, abordando duas nacionalidades distintas, mas que se complementam é muito mais complicado. No entanto, essa missão foi liderada por ninguém menos que Clint Eastwood (Menina de Ouro), aliado à Steven Spielberg, como prodtudor-executivo. Eles decidem transportar para o cinema a famosa batalha de Iwo Jima, ocorrida nos momentos finais da II Guerra Mundial. Pois é desta iniciativa que são moldados os filmes "A Conquista da Honra", que mostra o lado americano do combate, e "Cartas de Iwo Jima", sob o ângulo japonês.

A Conquista da Honra, ao contrário do que se pode pensar, não é um filme de guerra, mas sim uma alegoria dramática que acompanha a vida de três combatentes norte-americanos (vividos por Ryan Phillipe, Jesse Bradford e Adam Beach) que são utilizados como veículos de propaganda pelo governo dos EUA, com o objetivo de alavancar recursos para guerra travado, visto que a situação financeira do país não se encontrava em boas condições. Transformados em heróis de guerra da noite para o dia, o filme discute acerca da fabricação de heróis (tão recorrente da máquina de persuasão americana) e da fragilidade da qual os soldados passam (tanto psicológica, quanto social) quando voltam dos campos de batalha.

Um outro ponto de destaque do filme, além da mitológica fabricação de mitos, é a motivação adquirida pelos soldados. Ao contrário de que muitos longas do gênero mostram, não existe aqui um patriotismo cego por parte deles. É óbvio que os soldados estão no campo de batalha lutando pelo seu país, porém eles morrem não por ele, mas sim por seus amigos, como faz questão de frisar um dos personagens do longa.

O longa é muito bem construído por Eastwood, que utiliza os momentos de batalha (a maioria em flashbacks) apenas para ilustrar os traumas carregados pelos soldados, e não para construir uma alegoria de fogos e sangue, sem conteúdo algum. Mesmo com as batalhas não sendo o foco central do filme, a equipe técnica da produção se sobressai e mostra um maravilhoso apuro, principalmente a fotografia (a cargo de Tom Stern), que utiliza um tom monocromático muito semelhante ao utilizado em "O Resgate do Soldado Ryan" e na mini-série "Band of Brothers" (curiosamente dirigida e produzida por Spielberg, respectivamente).

O segundo é Cartas de Iwo Jima. Apresentando o olhar japonês da batalha, o filme tem um segmento de narrativa mais linear, mostrando desde a chegada dos soldados japoneses à ilha, até o momento do fatídico massacre perante as tropas norte-americanas. Mesmo sem ter uma montagem fragmentada como a de A Conquista da Honra, é devido a sua linearidade que se absorve mais rapidamente a história contada.

A trama do filme envolve o general Kuribayashi (o ótimo ator japonês Ken Watanabe, de "O Último Samurai) e sua ingrata missão de segurar poderio de fogo norte-americano ao máximo, mesmo possuindo um número substancialmente inferior de soldados ao do inimigo, deve defender a ilha de Iwo Jima, que é um ponto estratégico para ambos os países, com a própria vida, caso seja necessário.

O choque cultural é mostrado brilhantemente por Eastwood (com o auxílio do roteirista Paul Haggis e de Spielberg), quando um soldado japonês "salva" a vida de um americano e, falando em inglês com ele, vangloreia-se falando da olimpíada da qual participara e sobre as pessoas que conhecera enquanto residia nos EUA, isso retratado em um tom totalmente nostálgico pelo ator. Também é mostrado o lado negro do americano (que sempre posa de herói), no momento em que alguns japoneses desarmados são fuzilados a sangue frio, mesmo estes já estando rendidos.

Discutir acerca do apuro técnico do filme é inviável. Por conter bem mais cenas de combate e planos abertos (tanto gerais, quanto em close) da ilha, ele transborda beleza no segmento técnico, sem desmerecer, é claro, seu cunho dramático. A trilha sonora marca muito bem a jornada dos soldados japoneses e a fotografia tem o mesmo tom monocromático de A Conquista da Honra.

Muitos críticos consideraram Cartas de Iwo Jima como superior a A Conquista da Honra, no entanto prefiro ligeiramente o segundo. Não que ele seja "melhor" que Iwo Jima, mas devido a ousadia com o qual o tema central foi tratado (as conseqüencias da bandeira fincada no topo da ilha pelos soldados), o foco nas conseqüencias de atos ifundados e não nas batalhas em si.

Contudo, os dois longas se complementam de forma quase que mágica (tanto que para o lançamento em DVD também existe uma versão única dos dois, em box) e comprovam o talento do mais que veterano Clint Eastwood apra narrar histórias ao mesmo tempo pertinentes, do ponto de vista social e de denúncia, quanto emocionantes também. A improvável aliança a Steven Spielberg flui majestosamente.

Um ótimo projeto, que além de resgatar algumas polêmicas originalmente ocorridas em épocas negras da história americana, mostra a visão dos dois lados do front, sem delimitar em momento algum quem é herói ou vilão, bom ou mal, por que no fim o que virá será apenas mortes e recordações, muitas vezes desconstruídas pela história.

NOTAS: A Conquista da Honra: 9,0 / Cartas de Iwo Jima: 8,5.

Ficha Técnica (A Conquista da Honra):

Título Original: Flags of Our Fathers
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 132 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
2006
Site Oficial: www.aconquistadahonra.com.br
Estúdio: DreamWorks SKG / Warner Bros. / Malpaso Productions / Amblin Entertainment
Distribuição: DreamWorks Distribution LLC / Warner Bros. / Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: William Broyles Jr. e Paul Haggis, baseado em livro de Ron Powers e James Bradley
Produção: Clint Eastwood, Steven Spielberg e Robert Lorenz
Música: Clint Eastwood
Fotografia: Tom Stern
Desenho de Produção: Henry Bumstead
Direção de Arte: Adrian Gorton e Jack G. Taylor Jr.
Figurino: Deborah Hopper
Edição: Joel Cox

Elenco: Ryan Phillipe, Jesse Bradford, Adam Beach, John Benjamin Hickey, John Slattery, Barry Pepper, Jamie Bell.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=eiOMtdneUVc

Ficha Técnica (Cartas de Iwo Jima):

Título Original: Letters from Iwo Jima
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 140 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
2006
Site Oficial:iwojimathemovie.warnerbros.com/lettersofiwojima
Estúdio: DreamWorks SKG / Warner Bros. Pictures / Malpaso Productions / Amblin Entertainment
Distribuição: Warner Bros. / Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Iris Yamashita, baseado em livro de Tadamichi Kuribayashi e em estória de Iris Yamashita e Paul Haggis
Produção: Clint Eastwood, Steven Spielberg e Robert Lorenz
Música: Kyle Eastwood e Michael Stevens
Fotografia: Tom Stern
Desenho de Produção: Henry Bumstead e James J. Murakami
Figurino: Deborah Hopper

Elenco: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shido Nakamura, Hiroshi Watanabe.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=_fGgkDGF2Ts