quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Inimigos Públicos


SINOPSE

John Dillinger (Johnny Depp, de Sweeney Todd - O Barbeiro da Rua Fleet) era um criminoso audacioso e violento, mas que atraía a opinião pública ao seu favor, principalmente, porque dizia retirar das instituições financeiras o dinheiro que elas roubavam do cidadão. Seus assaltos a bancos e fugas rápidas enlouqueciam a polícia que não tinha condições de enfrentá-lo. Assim, prender o assaltante tornou-se uma obsessão do então burocrata J. Edgar Hoover (Billy Crudup, de Watchmen - O Filme), que disposto a tudo para fortalecer o famoso F.B.I., coloca Dillinger como o inimigo público número um. Para ajudar em sua missão, Hoover contrata o policial Melvin Purvis (Christian Bale, de O Exterminador do Futuro - A Salvação) e o deixa igualmente obcecado pela captura do bandido, que se apaixona por Billie Frechetti (Marion Cotillard, de Um Bom Ano) e acaba complicando a sua vida.
(Fonte: Adoro Cinema)

IMPRESSÕES

Ao contrário do que sugeria o trailer de Inimigos Públicos (Public Enemies), o andamento do novo trabalho do norte-americano Michael Mann (de Miami Vice) não lembra em nada o também exemplar "O Gângster (American Gangster)", de Ridley Scott (Um Bom Ano). Ao invés de um "duelo" envolvendo crime e lei, como preto e branco (sem trocadilho direto aos protagonistas do longa de Scott, que eram Denzel Washington e Russel Crowe), mas sim deixa bastante claro que o "mal" possui seus atrativos, sua causa de ser, principalmente quando disseca alguns dos mecanismos nada ortodoxos utilizados pelo antigo Bureau de investigação norte-americano (FBI), tendo como um dos cabeças da época J. Edgar Hoover (vivido com muito brilho por Crudup - pena que com pouco tempo de tela), um burocrata não muito afeito a seguir as regras burocráticas pré-estabelecidas pelo órgão, porém bastante competente, com destaque a publicização de sua própria imagem como "homem da lei".
Outra idéia interessante que tem destaque é a do culto e da celebração aos criminosos do período (época de recessão econômica - paralelo com os nossos dias?) pela população dos Estados Unidos, vendo-os muitas vezes como ícones e até mesmo heróis, fato este já discutido de maneira bastante provocativa no belíssimo filme "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford", estrelado por Brad Pitt e pelo irmão de Ben Affleck, Casey Affleck. O Longa-metragem de Mann corrobora esse ponto de discussão, sendo auxiliado pela interpretação sutil de Johnny Depp, que vive o carismático e perigoso gângster com aura de Robin Hood, John Dillinger.

É válido também destacar a qualidade do casting de Inimigos Públicos, que possui gente do porte de Christian Bale, Marion Cotillard, Stephen Dorff (de Blade), David Wenham (de Austrália), Giovanni Ribisi (de O Vôo da Fênix), Channing Tatum (de Stop-Loss), Stephen Graham, dentre outros, entre papéis coadjuvantes (caso de Bale e Cotillard) e pontas rápidas e circunstanciais.

Quanto à técnica, seria chover no molhado comentar. É sabido que independentemente do enredo, todo filme de Michael Mann detém um apelo visual e uma qualidade técnica em nível excelente. Contudo, posso destacar a tradicional câmera na mão, que dessa vez detém um diferencial, visto que foi captada com qualidade de tecnologia Imax, ou seja, perfeita para se assistir numa TV Full HD.

NOTA: 8,5.

Ficha técnica:
título original:Public Enemies
gênero:Drama
duração:140 min
ano de lançamento:2009
estúdio:Universal Pictures / Relativity Media / Forward Pass / Misher Films / Tribeca Productions / Appian Way
distribuidora:Universal Pictures / UIP
direção: Michael Mann
roteiro:Ronan Bennett, Michael Mann e Ann Biderman, baseado em livro de Bryan Burrough
produção:Kevin Misher e Michael Mann
música:Elliot Goldenthal
fotografia:Dante Spinotti
direção de arte:Nathan Crowley
figurino:Colleen Atwood
edição:Jeffrey Ford e Paul Rubell
efeitos especiais:CafeFX / Picture Playground

Trailer:

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Montanha Enfeitiçada

SINOPSE

A montanha enfeitiçada é um local repleto de histórias, apesar de jamais encontrado. A lenda diz que fica localizada no meio do deserto de Nevada, nos Estados Unidos. Jack Bruno (Dwayne Johnson) é um taxista de Las Vegas que um dia conhece Sara (AnnaSophia Robb) e Seth (Alexander Ludwig), adolescentes que possuem poderes sobrenaturais e que estão em plena fuga. Precisando protegê-los, Jack passa a acompanhá-los em sua busca pela montanha para que possam salvar o mundo.




IMPRESSÕES


Divertida refilmagem de um clássico setentista da Disney e estrelada pelo carismático e bastante esforçado Dwayne "ex- The Rock" Johnson (de A Gangue Está em Campo), Carla Gugino (de As Duas Faces da Lei), AnnaSophia Robb (de Ponte para Terabítia) e Alexander Ludwig (de Os Seis Signos da Luz), A Montanha Enfeitiçada é um filme dinâmico, direto e envolvente, que mistura o ritmo clássico das aventuras em estilo matinê (como as produções dos anos 80) com diversas homenagens ao mundo dos fãs de ficção-científica (de Star Wars à convenções de nerds).


Este é um longa que não compromete, muito menos apresenta novidades ao gênero. Contudo, é uma boa pedida para intermediar um drama profundo ou pra ver ao lado dos filhos, sobrinhos, primos ou até mesmo para se desligar do mundo por uma hora e meia e voltar a ser "criança".

NOTA: 6,5.

Ficha Técnica:
título original
:Race to Witch Mountain

gênero
:Aventura

duração
:01 hs 38 min

ano de lançamento
:2009

site oficial
:http://www.disney.com.br/cinema/montanha/index.html

estúdio
:Walt Disney Pictures / Gunn Films

distribuidora
:Walt Disney Pictures

direção
: Andy Fickman

roteiro
:Matt Lopez e Mark Bomback, baseado em estória de Matt Lopez e em livro de Alexander Key

produção
:Andrew Gunn

música
:Trevor Rabin

fotografia
:Greg Gardiner

direção de arte
:John R. Jensen

figurino
:Genevieve Tyrrell

edição
:David Rennie

efeitos especiais
:Furious FX / Proof / RotoFactory


Elenco: Dwayne Johnson, AnnaSophia Robb, Alexander Ludwig, Carla Gugino e Tom Everett Scott.

Trailer:

Katyn

SINOPSE

No início da Segunda Guerra Mundial, o exército polonês é aprisionado pelos russos, por ordem dos nazistas. Esta é a his¬tória dos oficiais poloneses assassinados na Floresta Katyn, e de como o poder comunista tentou forçar suas mulheres e famílias a esquecê-los.

O que seria dessas mulheres, que esperavam por seus entes queridos, quando a Polônia foi escravizada pela Rússia? Será que pátria e liberdade ainda teriam o mesmo significado para os que aceitaram o novo sistema?



IMPRESSÕES


Relato sincero e tributo a um evento não muito conhecido da população fora das fronteiras da Europa Oriental, ocorrido durante o regime nazi-fascista e o comunismo soviético, apresentando de forma crua e sem exagerar na emoção a trajetória do povo polonês (principalmente das mulheres), durante e após a chacina em massa de diversos oficiais do exército polonês pelos "salvadores" soviéticos, estes que incriminam os "malvados" nazistas pelo episódio e, de maneira nada sutil (à ferro e fogo, diga-se), "convençeram" o povo polonês desta verdade.


Dirigido pelo veterano e premiado diretor polonês Andrzej Vajda, Katyn, apesar de não possuir uma estrutura narrativa ágil e não apostar na sensibilização incisiva do espectador, é uma homenagem e um retrato marcante a um episódio histórico que merece ser conhecido por todos. Por fim, é um dos raros momentos em que um filme parece mais um livro do que o contrário.

NOTA: 7,5.

Ficha Técnica:
Diretor: Andrzej Wajda
Elenco: Artur Zmijewski, Maja Ostaszewska, Andrzej Chyra, Danuta Stenka, Jan Englert, Magdalena Cielecka, Agnieszka Glinska.
Duração: 116 min.
Ano de produção: 2007.
Gênero: Drama.

Trailer:

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Se Beber, Não Case!

SINOPSE

Dois dias antes do casamento, Doug (Justin Bartha) e três amigos (Bradley Cooper, Ed Helms e Zach Galifianakis) vão de carro para Las Vegas, para passar uma noite inesquecível. Mas quando os três padrinhos de casamento acordam no dia seguinte, explodindo de dor de cabeça, não conseguem se lembrar de nada. O luxuoso quarto de hotel está um caos e o noivo simplesmente desapareceu. Sem a menor ideia do que pode ter acontecido e correndo contra o tempo, o trio precisa refazer os passos da noite anterior até descobrir quando as coisas começaram a desandar e, de preferência, levar Doug de volta a Los Angeles a tempo para o casamento. O problema é que, quanto mais eles descobrem, mais percebem o quanto estão encrencados.
(Fonte: http://wwws.br.warnerbros.com/hangover/)

IMPRESSÕES

Sensação de bilheteria nos Estados Unidos, "Se Beber, Não Case"é simplemente hilário. Escrito e dirigido por Todd Phillips (Dias Incríveis), o filme possui uma história bastante simples, no entanto desenvolvida de forma incrivelmente criativa. Tiradas que mexem com o universo do mundo masculino, envolto de mulheres, viagens, amizade e bebedeira, confesso que em muitos momentos me identifiquei com algumas das "inacreditáveis" situações passadas pelo quarteto principal. Mais um ótimo exemplar de comédia "adulta", que aborda o tão "incompreendido" ambiente de transição entre a vida de solteiro e a vida de casado. Dinâmico; engraçado; interessante. Com certeza a melhor comédia do ano até agora e, com todos os méritos, tamém um dos filmes mais rentáveis.

É válido destacar a competência e o timming do elenco do longa. Ed Helms e Zach Galifianakis estão fantásticos e Bradley Cooper, apesar de ser o mais "normal" da trupe, consegue conquistar o público e comprova que é um ator versátil (ele está no filme de terror O Último Trem, baseado na obra de Clive Baker). Por fim, um ótimo produto hollywoodiano! E que venha a sequencia... sim, ela já foi confirmada.

NOTA: 8.

Ficha Técnica:
Diretor: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Heather Graham, Justin Bartha, Ed Helms, Jeffrey Tambor, Zach Galifianakis, Ian Anthony Dale, Ken Jeong.
Produção: Daniel Goldberg, Todd Phillips
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Fotografia: Lawrence Sher
Duração: 100 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Classificação: 14 anos

Trailer:

terça-feira, 28 de abril de 2009

Presságio


Confesso que (ainda) não acompanhei a fundo a carreira do diretor egípcio Alex Proyas, tendo visto, antes de Presságio, apenas o filme Eu, Robô (um ótimo filme policial disfarçado de ficção-científica e não o contrário), de sua autoria. No entanto, este me fez ansiar pelo próximo projeto de Proyas, que viria a se materializar apenas 5 anos depois, como o longa que agora comentarei.

Não é de hoje que os filmes apocalípiticos e catastróficos são produzidos em Hollywood (não vou entrar em meandros psicológicos, mas com certeza é inerente ao homem a atração pela impotência contra a natureza), contudo Presságio carrega consigo um diferencial: consegue mesclar elementos de ciência e de misticismo de forma ímpar (a maioria dos filmes aposta em uma ou outra vertente), construindo assim um conceito bastante interessante, que mistura astrofísica, fim do mundo, acidentes urbanos, "profecias" e, por que não, o ceticismo da criação planejada por parte dos cientificistas e o da aleatoriedade do surgimento do universo (e da vida) pelos religiosos mais ortodoxos.

O longa é estrelado por Nicolas Cage (muito bem, por sinal), um astrofísico viúvo (e ainda bastante abatido com a perda da esposa) que, através do filho, estuda um apanhado de números aparentemente aleatórios que foram guardados numa cápsula do tempo há 50 anos. No entanto, este descobre que os números são datas e coordenadas de diversos acidentes trágicos que ocorreram durante estes 50 anos e, que apenas as três últimas séries de números não se encaixam com nenhum acidente, pois estes ainda não aconteceram.

A partir daí a história ganha cada vez mais contornos de suspense, gerando uma tensão crescente (principalmente quando descobrimos a história por trás dos números e a aparição de um grupo de homens misteriosos que surgem para o filho de Cage). A trilha assinada por Marco Beltrami (de Hellboy) pontua perfeitamente o filme, dando fôlego quando a trama começa a cansar um pouco, enquanto os efeitos visuais são caprichados (fato já demonstrado no longa anterior de Proyas), principalmente o da queda de um avião, que provoca angústia no espectador ao apresentar as diversas vítimas e impotência do personagem de Cage, já que este não pôde evitar este terrível acidente. Sinceramente, uma cena construída de maneira singular, visto que, em geral, as cenas de acidentes de lançamentos recentes do gênero provocam mais euforia do que angústia no espectador.

Por fim, Presságio aparece como uma grande surpresa no começo da temporada de blockbusters, sendo este um filme que consegue ser entretenimento sem deixar de apresentar algumas idéias mais elaboradas, como a discussão da impotência do homem perante o universo, a não aceitação da morte, a efemeridade da vida, dentre outras. Contudo, o que mais surpreende no longa é a mescla de temas (ciência/crença) de forma a contribuir com o desenvolvimento da trama. Mais um ótimo trabalho de Proyas e outro filme que devolveu um pouco de fôlego à carreira do senhor Nicolas Cage (que alterna bombas com alguns filmes interessantes de maneira tão confusa que até parace proposital). Ótimo filme, cerregado de tensão e com um clima que supera a tensão. Certamente O filme catástrofe (decente) do ano... (se bem que ainda tem o 2012, de Roland Emmerich, o midas do gênero... ou não).

NOTA: 8.

Obs.: a título de curiosidade, os últimos trabalhos de Nic Cage (e a prova da sua oscilante qualidade de escolha), juntamente com os trailers:

2009 - Presságio (muito bom); 2008 - Perigo em Bangkok (não vi, mas pela crítica: bomba); 2007 - A Lenda do Tesouro Perdido 2 - Livro dos Segredos (bomba assistível na TV); 2007 - O Vidente (bomba); 2007 - Motoqueiro Fantasma (bomba); 2006 - Lucas, um Intruso no Formigueiro (bom - no entanto, como é uma animação, Cage "apenas" dublou); 2006 - O Sacrifício (bomba); 2006 - As Torres Gêmeas (bom); 2005 - O Senhor dos Armas (muito bom); 2004 - O Sol de Cada Manhã (bom); 2004 - A Lenda do Tesouro Perdido (bomba assistível na TV); 2003 - Os Vigaristas (bom); 2002 - Códigos de Guerra (bomba); 2002 - Adaptação (muito bom)...

Ficha Técnica
Título Original: Knowing
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Austrália): 2009
Site Oficial: www.knowing-themovie.com
Estúdio: Summit Entertainment / Wintergreen Productions / Kaplan/Perrone Entertainment / Escape Artists / Mystery Clock Cinema / Goldcrest Pictures
Distribuição: Summit Entertainment / Paris Filmes
Direção: Alex Proyas
Roteiro: Stuart Hazeldine, Ryne Douglas Pearson, Stiles White e Juliet Snowden, baseado em adaptação de Alex Proyas e em estória de Ryne Douglas Pearson
Produção: Todd Black, Jason Blumenthal, Steve Tisch e Alex Proyas
Música: Marco Beltrami
Fotografia: Simon Duggan
Desenho de Produção: Steven Jones-Evans
Direção de Arte: Sam Lennox
Figurino: Terry Ryan
Edição: Richard Learoyd
Efeitos Especiais: Postmodern

Elenco: Nicolas Cage, Rose Byrne, Chandler Canterburry e Lara Robinson.


Trailer:

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Monstros Vs. Alienígenas

Misto de aventura com ficção-científica (totalmente inspirado nos filmes dos anos 1950), Monstros Vs. Alienígenas (Monsters Vs. Aliens) mostra o dilema pelo qual passa o planeta Terra, que após a queda de um estranho "meteorito" é atacado por uma estrenha criatura vinda do espaço. A solução encontrada pelo Presidente dos Estados Unidos (acatando a idéia de um General) é libertar alguns "monstros", que eram prisioneiros de uma área secreta do governo (a lendária área 51?) para que possam depender a Terra da iminente invasão alienígena.

A trama tem início quando Susan (Reese Whiterspoon), prestes a se casar, é atingida por um meteorito vindo do espaço. Através de substâncias estranhas absorvidas através dele, Susan passa a sofrer um processo de mutação, que a faz crescer mais de dez metros, além de embranquecer seus cabelos. Em meio ao pânico causado pela transformação, a garota é detida pelo exército americano (encabeçado pelo General vivido pelo eterno Jack Baur, Kiefer Sutherland) e é trancafiada num complexo militar secreto. Lá, apesar das dificuldades para aceitar sua nova situação de vida (além de toranar-se um "monstro", provavelmente passará o resto de sua vida detida), ela faz amizade com outros prisioneiros que encontram-se (mais ou menos) na mesma situação que a sua: o Elo Perdido (Will Arnett) criatura reptiliana pré-histórica, que, como o nome indica, seria o elo-perdido na linha de evolução , B.O.B. (Seth Rogen), bolha mutante originária de molho de tomate (sério) que não possui cérebro (literalmente), Insectossauro (inseto bebê gigantesco - muito maior que Susan) e o impagável Doutor Barata (Hugh Laurie), típico cientista louco que, após um experimento que de errado virou uma barata-humana.

É então que, após a chegada do robô alienígena (enviado por Galaxar - com a voz de Rainn Wilson -, uma espécie de terrorista espacial que deseja resgatar o meteorito que caiu por engano na Terra), a única providência do governo é a liberação do grupo de monstros para que estes combatam o invasor, já que as forças armadas do país não tiveram sucesso.

Trabalhando principalmemte com a questão da individualidade de cada personagem (o monstro é um paralelo ao diferente, ao esquisito - humano?), Monstros Vs. Alienígenas é uma bela homenagem aos clássicos filmes de ficção-científica, como "Guerra dos Mundos" e "O Dia em Que a Terra Parou", tratando da questão da paranóia em meio a guerra-fria (os diálogos envolvendo os personagens de Sutherland e Stephen Colbert, que faz a voz do Presidente dos EUA, lembram muito os dos personagens de George C. Scott e Peter Sellers, no clássico "Dr. Fantástico", de Stanley Kubrick, durante a reunião na mítica sala de guerra).

Com Monstros Vs. Alienígenas a Dreanworks Animation mostra que, mais uma vez, apesar da irregularidade de seus títulos, a união de ação (vide o excelente "Kung Fu Panda") com tiradas de puro sarcasmo, mas de maneira inteligente (como o já clássico "Shrek") é o seu maior diferencial para com a concorrência (que por sinal está cada vez maior).

Outro destaque se dá na qualidade de detalhes da animação. Tonalidade de pele, movimento dos personagens, "cenários"(a fotografia beira a perfeição) e, pricipalmente, a estrutura do cabelo (principalmente da personagem principal), comprovando assim o quanto as animações evoluíram em pouco mais um ano e com certeza evoluirão ainda mais. Lembrando que o longa foi feito, principalmente, para ser visto nos cinemas 3D, já que possui diversas seqüencias que interagam com a platéia. Uma pena eu não ter visto o filme em um, já que na minha cidade (Maceió) ainda não possui uma sala de projeção com tal tecnologia.

Por fim, Monstros Vs. Alienígenas é uma excelenete escolha tanto para quem curte animações, homenagens ao cinema, ação e aventura e ficção-científica e para quem se contenta com personagens engraçados e de carisma ímpar, quanto para quem gosta de filmes que possuam um contexto mais elaborado e profundo (a tirada sobre o por que dos alienígenas sempre invadirem os EUA é uma das grandes sacadas do longa). Ou seja, o filme é diversão certa para pais e filhos, crianças e adultos, meninos e meninas.

NOTA: 8.

Ficha Técnica
Título Original: Monsters Vs. Aliens
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Site Oficial: www.monstrosvsalienigenas.com.br
Estúdio: DreamWorks Animation
Distribuição: DreamWorks Distribution / Paramount Pictures
Direção: Rob Letterman e Conrad Vernon
Roteiro: Maya Forbes, Wallace Wolodarsky, Rob Letterman, Jonathan Aibel e Glenn Berger, baseado em estória de Conrad Vernon e Rob Letterman
Produção: Lisa Stewart
Música: Henry Jackman
Edição: Joyce Arrastia e Eric Dapkewicz


Elenco (vozes): Reese Whiterspoon, Seth Rogen, Hugh Laurie, Will Arnett, Kiefer Sutherland, Rainn Wilson, Paul Rudd, Jeffrey Tambor e Renée Zellweger.

Trailers

(Original):


(Dublado):

terça-feira, 24 de março de 2009

Watchmen - O Filme

Adaptação da graphic novel (que ainda não li) de Alan Moore e David Gibbons, considerada pela crítica e por fãs como a Bíblia das histórias em quadrinhos, além de estar, de acordo com a lista publicada pelo Times, entre os 100 maiores romances do século XX, Watchmen é um filme tenso, contundente e, sobretudo, atraente. Dotado de um visual bastante estilizado, com truncagens e ângulos que, misturadas às inserções gráficas e propositalmente sintéticas, corroborando por conseguinte o estilo "visceral" à lá video-game/video-clipe de filmagem e edição do diretor norte-americano Zack Snyder (Madrugada dos Mortos e 300), Watchmen aborda de maneira oposta o mundo dos super-heróis (tanto o apresentado nas HQ's, quanto nas recentes adaptações cinematográficas), contextualizando estes numa época de constante enfervecência política/bélica sem igual (não que a atualidade não se encaixe nisso): o auge da guerra fria. Ou seja, o pano de fundo da obra é o conflito entre os EUA e a URSS e, consequentemente, o medo de uma guerra nuclear e a provável extinção da vida (desconsiderando as baratas, é claro) no planeta.

Afora o debate geopolítico, o feito que mais chama a atenção em Watchmen é a exposição, de forma explícita, dos dilemas inerentes à (ou às) natureza(s) humana(s) que, principalmente nos momentos de crise, aflora de maneira desordenada e ambígua, podendo quebrar até mesmo suas leis, seus códigos de conduta ético-morais, por fim, sua definição de humanidade. O ponto de conflito demonstrado durante o filme é carregado de sentimentos densos, que podem incomodar alguns espectadores (o filme foi classificado com censura máxima, apenas maiores de 18 anos podem assistí-lo).

Não vou me deter com relação a trama (que, em resumo, acompanha a investigação do assassinato de um herói veterano que envolve diversos outros - que não estão na ativa, devido à uma lei assinada pelo presidente dos EUA Richard Nixon, que os proibi de exercerem suas "funções" - num leque de acontecimentos que envolve diversos personagens, que são trabalhados a partir de suas fragilidades e inseguranças), visto que o enredo da obra é tão interessante e imprescindível (também complexo), que revelar um resumo tirará, de certa forma, dela o seu brilho. Brilho este que pode ser desviado pela construção do próprio filme, carregado de pirotecnia e efeitos visuais altamente dinâmicos (com certeza são de encher os olhos), que talvez a mensagem (o contexto da trama - o objetivo da obra existir) do filme possa ser relegada a segundo plano pelo espectador (principalmente o não familiarizado com a obra, com certeza a maioria do público), este possivelmente ficará hipnotizado pelo show de cores, pela plasticidade das imagens, pela granulação nas cenas de violência (que não são poucas, mas necessárias para o contexto do filme) estilizada, por fim, pelos excessos estéticos. Talvez a discussão ao qual a obra discorre não seja absorvida com tanto ímpeto mundareu de cores e sons.

Ressalto que não vejo como negativa essa valorização do filme as intervenções exageradamente gráficas, já que o seu conteúdo textual não deixa de ser formidável (apesar de resumida em comparação à obra, apesar das mais de 2 horas e meia de projeção), porém, talvez se Snyder tivesse abdicado de sua marca registrada (até então) e houvesse formatado Watchmen (no que se refere a montagem e composição visual, mais especificamente aos efeitos visuais) de uma forma mais crua, menos estilizada, ou seja, mais próxima do tom de "realidade" empregado no enredo oriundo da graphic novel (apesar de ser uma história de "super-herois") e, menos parecido ao de um video-clipe ou mesmo dos já conhecidos filmes de heróis (se a HQ descontriu o próprio universo das HQ's, por que o longa não desconstruiu os filmes de super-heróis? - no que tange ao visual), talvez a consistência da obra fosse exponencialmente aumentada e a compreensão da natureza desta pelos espectadores total. Ou não.

No mais, um ótimo deleite visual, ótimo enredo, execelente fomento à discussão, brilhante (e imperfeito) filme e por que não, uma grande obra. Contudo, polêmica a vista ... ou não?

NOTA: 8,5.

Ficha Técnica
Título Original: Watchmen
Gênero: Ficção Científica
Tempo de Duração: 163 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Inglaterra / Canadá): 2009
Site Oficial: www.watchmenofilme.com.br
Estúdio: Warner Bros. Pictures / Paramount Pictures / DC Comics / Lawrence Gordon Productions / Legenday Pictures
Distribuição: Paramount Pictures / Warner Bros. Pictures / UIP
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Alex Tse e David Hayter, baseado em graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons
Produção: Lawrence Gordon, Lloyd Levin e Deborah Snyder
Música: Tyler Bates
Fotografia: Larry Fong
Desenho de Produção: Alex McDowell
Direção de Arte: François Audouy, Helen Jarvis e James Steuart
Figurino: Michael Wilkinson
Edição: William Hoy
Efeitos Especiais: CIS Hollywood / Intelligent Creatures / Rainmaker / Proof / Drac Studios / Lidar Services / Gentle Giant Studios / Moving Picture Company / Quantum Creation FX / Rising Sun Pictures / Sony Pictures Imageworks / Svengali Visual Effects.

Elenco: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson e Carla Gugino.